Brasil apresenta programa de combate ao crime transnacional na ONU
 Até esta sexta-feira (24), Viena será palco de um dos principais fóruns de discussões sobre políticas globais de Justiça e prevenção ao crime – The Commission on Crime Prevention and Criminal Justice. Integrada por 40 países e 70 nações observadoras, a Comissão das Nações Unidas (ONU) se reúne pela 18ª vez na capital austríaca, em busca de novas soluções para desarticular facções transnacionais, especialmente as que atuam na lavagem de dinheiro, no tráfico de pessoas e drogas.
O Brasil tem se destacado no plano de ações contra as atividades desses grupos, com a implementação de laboratórios tecnológicos de ponta (LAB-LD) para investigações e a assinatura de diversos acordos no âmbito jurídico, destinados ao bloqueio e repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior. O país já foi escolhido pela ONU para sediar, em 2010, o 12º Congresso sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal. Provavelmente em Salvador, na Bahia.
Os organizadores da Comissão definiram o processo preparatório do Congresso como uma das prioridades dos debates em Viena, iniciados na última quinta-feira (16). O enfoque está no desenvolvimento da Justiça Penal, para que responda aos desafios do século XXI sobre sistemas mais adequados e modernos de combate ao crime. Muitas normas podem, por exemplo, ser revistas e adaptadas à nova ordem mundial, cercada por delitos virtuais e pelo terrorismo.
Na sessão de abertura dos trabalhos o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, afirmou o quanto é essencial romper fronteiras na luta contra o crime. “A revisão do sigilo bancário durante a cúpula do G20, que declarou guerra aos paraísos fiscais, apenas demonstra o que para nós já era discurso consolidado há muitos anos: as legislações locais não podem ser empecilho à cooperação internacional para fins de confisco, servindo de abrigo aos fraudadores”.
Tuma propôs um balanço da aplicação dos padrões e regras editados pela ONU, a fim de propor medidas que transformem os textos em instrumentos efetivos de Justiça criminal. “As boas práticas identificadas nos países podem indicar-nos a direção da revisão e implementação dessas normas”, disse. “No ano passado, além de exemplificar casos exitosos de cooperação, apresentei, nesta plenária, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).”
O Pronasci, explicou o secretário, pretende identificar o indivíduo como cidadão, buscando atingir e enfrentar as causas que levam à violência, sem abrir mão de estratégias de ordenamento social e segurança pública. Dentro do que as Nações Unidas propõem, o Ministério da Justiça tem dado atenção especial aos jovens à beira da marginalidade, com investimentos na construção de penitenciárias especiais (afastando-os de presos de alta periculosidade) e em projetos de educação, cultura e lazer nas comunidades.
18ª Sessão – Os assuntos discutidos na reunião são bastante atuais: a crise financeira e o peso das fraudes sobre o equilíbrio econômico mundial; e os delitos relacionados à identidade. No segundo caso, os participantes trocaram idéias a respeito de medidas contra os crimes cometidos por meios eletrônicos, em particular a Internet.
A Comissão também trata da reforma penal e da redução do tempo nas prisões. O tema não é recente e, ainda assim, chama pouca atenção das autoridades em vários países. Mas há uma preocupação por parte da ONU de que os governos comecem a se voltar para o sofrimento humano provocado pela negligência na liberação de detentos. Vários deles poderiam estar fora das grades se tivessem um atendimento jurídico mais rápido e eficaz. Importante, também, buscar mecanismos que diminua o tempo decorrente entre a prisão provisória entre e a sentença.
Fonte: Ministério da Justiça |